NdP Adevirp

São Paulo, abril de 2022.– Democratizar o acesso à cultura por meio de livros falados e ampliar a inserção de deficientes visuais no mercado de trabalho. Esse é o objetivo do projeto Vozes que iluminam vidas e Pontos que leem o mundo, oferecido desde dezembro de 2020 pela Adevirp (Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto e Região). A instituição sem fins lucrativos fornece serviços gratuitos e permanentes para mais de 200 deficientes visuais de 40 cidades da macrorregião de Ribeirão Preto, em São Paulo e no sul de Minas Gerais.

Os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 18,6% da população brasileira possui algum tipo de deficiência visual. Desses, 6,5 milhões apresentam deficiência visual severa e 506 mil têm perda total da visão. Foi pensando em ampliar o acesso à cultura e diminuir barreiras vividas por esse público que a Adevirp criou a iniciativa voltada às pessoas cegas ou com baixa visão em todas as faixas etárias.

Desde o início do projeto, em dezembro de 2020, mais de 56 livros paradidáticos e didáticos que fazem parte do plano anual do ensino fundamental e médio foram adaptados para livros falados. Livros paradidáticos de autores célebres da literatura brasileira e mundial, como Pedro Bandeira, Clarice Lispector, George Orwell já foram acessados por crianças, jovens, adultos e idosos participantes do projeto. A equipe responsável pela adaptação das obras escritas inclui ledores, editores multimídia, audiodescritores, pedagogo, terapeuta ocupacional e coordenação técnica.

Os livros transformados em audiobooks são distribuídos de forma gratuita para as escolas e bibliotecas municipais devido a importância dos títulos na grade curricular para a inclusão da pessoa com deficiência visual. “Nosso foco é atender a demanda educacional, pois temos como objetivo a inclusão dos deficientes visuais no Ensino Regular e no mercado de trabalho, comenta Marlene, fundadora e presidente da Adevirp. Alguns livros são emprestados por universidades parceiras do município de Ribeirão Preto, “desta forma, conseguimos destinar livros falados, inclusive para os vestibulandos”, completa Alcinéia, coordenadora do Projeto.    

Deficiente visual desde que nasceu, Marlene Taveira Cintra é psicóloga, idealizadora e fundadora da Adevirp, e sentiu no dia a dia a dificuldade de ser cega no Brasil. “A defasagem de recursos e educação assistida para a pessoa com deficiência visual era notória desde a minha infância. Isso me motivou a criar mecanismos que atendessem esse público e, hoje, na Adevirp, seja quem ficou cego por uma patologia ou nascença, descobriu uma nova forma de viver e de ver o mundo”, comenta esperançosa.

Para ampliar o acesso aos audiobooks, os materiais são distribuídos nas escolas municipais e estaduais de Ribeirão Preto com um ou mais alunos com deficiência visual ou baixa visão matriculados, além de disponibilização das obras nas diretorias de ensino da região e na histórica Biblioteca Sinhá Junqueira da cidade. A instituição possui ainda uma biblioteca aberta ao público com deficiência visual que pode ouvir os livros no local ou pegar emprestado com um pedagogo à disposição durante todo o horário de funcionamento da biblioteca.

Todos os anos, a instituição mantém mais de dez atividades focadas em educação, esporte e saúde. O projeto Vozes e Pontos conta com a parceria da Prosegur, referência mundial no setor de segurança privada e transporte de valores por meio do PRONAS/PCD - Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência.

Em 2021 a Prosegur lançou o Programa Somos Todos Heróis, Diversidade e Respeito que tem por objetivo conscientizar os colaboradores sobre o respeito às diferenças, sejam elas de origem étnica, religiosa, de gênero ou física. “Acreditamos que o conhecimento transforma pessoas e essa transformação contribui para a construção de um mundo mais seguro e respeitoso. Para nós, é um grande prazer somar e, mais do que isso, conscientizar a população e incentivar as empresas de todos os setores que esse tema precisa se tornar urgente na agenda dos executivos. Garantir a segurança das pessoas, empresas e a sociedade como um todo também é apoiar a acessibilidade e a democratização do conhecimento”, afirma Marcelo Rucker, diretor de Recursos Humanos da Prosegur.